terça-feira, 3 de agosto de 2021

FERROVIA MOSSORO(RN) À SOUSA(PB)

 


 

O primeiro trecho da estrada foi inaugurado no dia 19 de novembro de 1915, quando foram também erguidas as duas primeiras estações, a de PortoFranco, no município de Areia Branca, e a de Mossoró. Atualmente, a de Porto Franco não existe mais, sendo demolida e apenas restando a plataforma sobre onde se situava. Em seu lugar foi construída uma casa para bombas mecânicas que servem as salinas adjacentes. Como último vestígio da existência da edificação restam alguns dormentes de madeira empilhados, resultantes da retirada dos trilhos. Em Mossoró a situação é diferente. A estação, situada no largo da Avenida Rio Branco, no bairro do Centro, é uma das mais bem conservadas do estado, além de ser símbolo para a cidade. Seu estilo arquitetônico é voltado ao ecletismo, com motivos diversos, como cornijas, platibandas e balaustradas, além de apresentar uma conformação simétrica. A reforma empreendida em 1999 agregou novas funções ao antigo edifício, destinadas às práticas culturais da cidade. As fachadas foram restauradas, porém, seu interior foi modificado para atender às novas necessidades.

Os antigos galpões de mercadorias e bagagens, situados nos flancos laterais, hoje abrigam respectivamente, o auditório Jornalista Dorian Jorge Freire e o Museu do Petróleo da Petrobrás, ocorrendo a derrubada de algumas paredes, além de um rebaixamento do piso. O átrio central, antes destinado à venda de passagens, hoje abriga a recepção e o setor de serviço, como copa, cozinha e banheiros. O pavimento superior, onde se localizava a administração da estrada de ferro, hoje é um espaço para exposições, sendo o terraço da cobertura utilizado como camarote para as autoridades locais durante as festas juninas e grandes eventos realizados no pátio da estação. Portanto, as características externas estão bem preservadas, porém internamente, o edifício está bastante modificado. A estação é a maior da linha, por pertencer ao maior centro comercial entre as cidades abrangidas.

 

Depois desses dois exemplares, a próxima estação inaugurada foi a da Vila de São Sebastião, hoje Governador Dix-Sept Rosado, em 1925, dez anos após as duas primeiras. O edifício representou um importante marco no desenvolvimento da pequena localidade, pois dinamizou o seu comércio e, especialmente, a exploração de suas jazidas de gipsita. Atualmente, as funções que se desenvolvem nas suas dependências são relacionadas à prestação de pequenos serviços, como cortes de cabelo e manicure. A condição física é boa, estando bem conservada e apresentando poucas modificações, tais como a instalação de um arcondicionado split, que, no entanto, não a descaracteriza. Está situada no bairro do Centro, precisamente na Rua Josué Dias e tem em seu entorno além de diversas casas, um espaço para a realização de eventos e uma quadra poliesportiva. A última restauração feita data do ano de 2003. O estilo arquitetônico, assim como em outras estações, é pouco definido, constituindo um edifício eminentemente voltado à funcionalidade. Diferentemente de Mossoró, ela ainda apresenta os trilhos da estrada de ferro.

 

Passando por Governador Dix-Sept Rosado a próxima estação a ser construída foi a da cidade de Caraúbas, em 30 de setembro de 1929. Esse edifício é mais um exemplar transformado em Casa de Cultura da Fundação José Augusto, cuja reforma e inauguração se deu recentemente, em setembro de 2006. A importância econômica para a cidade foi muito grande correspondendo ao período onde se deu “o seu surto maior de progresso” (CARAÚBAS..., 1958, p. 36). No prédio original foram implantadas uma sala de informática, uma biblioteca e um museu em homenagem ao repentista e carnavalesco Celso Gurgel. No entanto, esses novos usos se adequaram às conformações originais não ocorrendo modificações internas na estrutura. Porém, nas proximidades da estação foram construídos dois edifícios para abrigar um auditório e salas para realização de oficinas. A edificação, de estilo eclético com cornijas, cunhais, platibanda recortada e cobertura da plataforma em estrutura metálica, apresenta-se em boas condições de conservação e com suas características originais bem preservadas. Situa-se no bairro do Centro, na Rua General Souza Falcão e tem em seu entorno diversas casas, entre elas um casario antigo onde se localiza a antiga casa do agente ferroviário, além de uma usina de processamento de castanha de caju. Vale salientar que o partido de linhas neoclássicas da casa do agente é repetido em várias outras cidades atendidas pela via férrea, como se verá adiante.

 

A partir de Patú até Alexandria o partido das estações de trem é exatamente o mesmo, de estilo arquitetônico pouco preciso, havendo variações apenas no posicionamento das plataformas de embarque. Essa tendência pode ser atribuída ao fato delas terem sido construídas sob o mesmo “impulso” nas obras de prolongamento. Entretanto, as condições atuais das mesmas diferem bastante entre si, uma vez que algumas estão bem conservadas enquanto outras se encontram bastantes deterioradas. As que apresentam boas condições de conservação são as de Patú e Alexandria, inauguradas respectivamente nos anos de 1936 e 1948. A primeira, sitiada na Avenida Lauro Maia, no Bairro da Estação, hoje detêm a função de museu da cultura da cidade, enquanto que em seu pátio há um parque infantil, um jardim e um espaço para eventos populares. A revitalização ocorreu recentemente, em fevereiro de 2006, e o complexo passou a se denominar “Praça do Povo”, durante a gestão do prefeito Possidônio Queiroga. A segunda serve de sede para a Secretaria de Cultura, Cidadania e Turismo do município, onde também há um direcionamento para a educação ambiental, na chamada “Sala Verde”. Além disso, também funciona em suas dependência uma biblioteca, com equipamento de vídeo, que atende aos alunos da rede pública de ensino. A estação encontra-se no Bairro da Estação, em um largo homônimo, cujo principal logradouro é a rua Professor José Osias. Em seu entorno há um casario antigo, alguns bares e um edifício pertencente à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). A estação de Patú possui em suas imediações uma casa do agente igual à presente em Caraúbas.

 

As outras três estações, de Almino Afonso (1937), Frutuoso Gomes (1941) e Antônio Martins (1942), estão em estado de precariedade. A primeira é a que apresenta as piores condições de todos exemplares estudados, exibindo uma conformação de completa ruína. 158 Segundo o morador Itamar Holanda de Medeiros, residente do Bairro da Estação, onde ela se situa, desde o término da passagem dos trens o prédio não recebeu nenhum outro uso, estando durante esse período completamente abandonado. A cobertura e as esquadrias não existem mais e as paredes restantes apresentam marcas de alterações e se encontram bastante deterioradas. Estabelecida na rua Vitorino Paulino, o prédio congrega em seu entorno um circo, uma igreja protestante e diversas casas, além de um campo de futebol. Em Frutuoso Gomes nos deparamos também com quadro semelhante, assim como em Antônio Martins. As estações também estão em estado de abandono sem abrigar nenhum uso e com sua estrutura seriamente deteriorada. Nas cidades elas estão localizadas em bairros denominados “Da Estação”, sendo um pouco afastadas do centro. Em Antônio Martins, percebe-se que o local, cujo logradouro é a rua João Bosco Amorim de Carvalho, hoje habitado por populações de baixa renda, um dia já foi residência de classes mais abastadas, especialmente ligadas ao comércio, isso devido à concentração de várias casas e grande armazéns de estilos historicistas. A situação é tão precária que parte da alvenaria de uma das fachadas está para cair, apoiada apenas por um pedaço de madeira. Além disso, em seu interior há vestígios de que outrora as dependências foram utilizadas como estábulo para animais. Ambas as estações não abrigaram outras funções após o fim do movimento de trens.

 

Em Antônio Martins, apesar da condição atual, há um projeto de transformação da edificação no novo terminal turístico da cidade com implantação de um museu, praças e um espaço para eventos no entorno. Dentro do programa de necessidades ainda consta a implantação da primeira biblioteca pública do município e o agenciamento do entorno com a 159 construção de uma praça e um anfiteatro para a realização de apresentações (DE FATO, 20/07/2007). A casa do agente, de acordo com o Jornal de Fato da cidade de Mossoró, também será revitalizada e servirá como ponto de apoio. Para que se dê o início das obras, de acordo com o mesmo periódico, a Prefeitura, sob gestão do Sr. José Júlio, apenas espera a liberação do edifício pela União para o município, que será tombado como patrimônio de Antônio Martins.

Fonte – GABRIEL LEOPOLDINO PAULO DE MEDEIROS


FERROVIA MOSSORO(RN) À SOUSA(PB)

    O primeiro trecho da estrada foi inaugurado no dia 19 de novembro de 1915, quando foram também erguidas as duas primeiras estações, ...