Os antigos galpões de mercadorias e bagagens, situados nos flancos
laterais, hoje abrigam respectivamente, o auditório Jornalista Dorian Jorge
Freire e o Museu do Petróleo da Petrobrás, ocorrendo a derrubada de algumas
paredes, além de um rebaixamento do piso. O átrio central, antes destinado à
venda de passagens, hoje abriga a recepção e o setor de serviço, como copa,
cozinha e banheiros. O pavimento superior, onde se localizava a administração
da estrada de ferro, hoje é um espaço para exposições, sendo o terraço da
cobertura utilizado como camarote para as autoridades locais durante as festas
juninas e grandes eventos realizados no pátio da estação. Portanto, as
características externas estão bem preservadas, porém internamente, o edifício
está bastante modificado. A estação é a maior da linha, por pertencer ao maior
centro comercial entre as cidades abrangidas.
Depois desses dois exemplares, a próxima estação inaugurada foi a
da Vila de São Sebastião, hoje Governador Dix-Sept Rosado, em 1925, dez anos
após as duas primeiras. O edifício representou um importante marco no
desenvolvimento da pequena localidade, pois dinamizou o seu comércio e,
especialmente, a exploração de suas jazidas de gipsita. Atualmente, as funções
que se desenvolvem nas suas dependências são relacionadas à prestação de
pequenos serviços, como cortes de cabelo e manicure. A condição física é boa,
estando bem conservada e apresentando poucas modificações, tais como a
instalação de um arcondicionado split, que, no entanto, não a descaracteriza.
Está situada no bairro do Centro, precisamente na Rua Josué Dias e tem em seu
entorno além de diversas casas, um espaço para a realização de eventos e uma
quadra poliesportiva. A última restauração feita data do ano de 2003. O estilo
arquitetônico, assim como em outras estações, é pouco definido, constituindo um
edifício eminentemente voltado à funcionalidade. Diferentemente de Mossoró, ela
ainda apresenta os trilhos da estrada de ferro.
Passando por Governador Dix-Sept Rosado a próxima estação a ser
construída foi a da cidade de Caraúbas, em 30 de setembro de 1929. Esse
edifício é mais um exemplar transformado em Casa de Cultura da Fundação José
Augusto, cuja reforma e inauguração se deu recentemente, em setembro de 2006. A
importância econômica para a cidade foi muito grande correspondendo ao período
onde se deu “o seu surto maior de progresso” (CARAÚBAS..., 1958, p. 36). No
prédio original foram implantadas uma sala de informática, uma biblioteca e um
museu em homenagem ao repentista e carnavalesco Celso Gurgel. No entanto, esses
novos usos se adequaram às conformações originais não ocorrendo modificações internas
na estrutura. Porém, nas proximidades da estação foram construídos dois
edifícios para abrigar um auditório e salas para realização de oficinas. A
edificação, de estilo eclético com cornijas, cunhais, platibanda recortada e
cobertura da plataforma em estrutura metálica, apresenta-se em boas condições
de conservação e com suas características originais bem preservadas. Situa-se
no bairro do Centro, na Rua General Souza Falcão e tem em seu entorno diversas
casas, entre elas um casario antigo onde se localiza a antiga casa do agente
ferroviário, além de uma usina de processamento de castanha de caju. Vale
salientar que o partido de linhas neoclássicas da casa do agente é repetido em
várias outras cidades atendidas pela via férrea, como se verá adiante.
A partir de Patú até Alexandria o partido das estações de trem é
exatamente o mesmo, de estilo arquitetônico pouco preciso, havendo variações
apenas no posicionamento das plataformas de embarque. Essa tendência pode ser
atribuída ao fato delas terem sido construídas sob o mesmo “impulso” nas obras
de prolongamento. Entretanto, as condições atuais das mesmas diferem bastante
entre si, uma vez que algumas estão bem conservadas enquanto outras se
encontram bastantes deterioradas. As que apresentam boas condições de
conservação são as de Patú e Alexandria, inauguradas respectivamente nos anos
de 1936 e 1948. A primeira, sitiada na Avenida Lauro Maia, no Bairro da
Estação, hoje detêm a função de museu da cultura da cidade, enquanto que em seu
pátio há um parque infantil, um jardim e um espaço para eventos populares. A
revitalização ocorreu recentemente, em fevereiro de 2006, e o complexo passou a
se denominar “Praça do Povo”, durante a gestão do prefeito Possidônio Queiroga.
A segunda serve de sede para a Secretaria de Cultura, Cidadania e Turismo do
município, onde também há um direcionamento para a educação ambiental, na
chamada “Sala Verde”. Além disso, também funciona em suas dependência uma
biblioteca, com equipamento de vídeo, que atende aos alunos da rede pública de
ensino. A estação encontra-se no Bairro da Estação, em um largo homônimo, cujo
principal logradouro é a rua Professor José Osias. Em seu entorno há um casario
antigo, alguns bares e um edifício pertencente à Universidade do Estado do Rio
Grande do Norte (UERN). A estação de Patú possui em suas imediações uma casa do
agente igual à presente em Caraúbas.
As outras três estações, de Almino Afonso (1937), Frutuoso Gomes
(1941) e Antônio Martins (1942), estão em estado de precariedade. A primeira é
a que apresenta as piores condições de todos exemplares estudados, exibindo uma
conformação de completa ruína. 158 Segundo o morador Itamar Holanda de
Medeiros, residente do Bairro da Estação, onde ela se situa, desde o término da
passagem dos trens o prédio não recebeu nenhum outro uso, estando durante esse
período completamente abandonado. A cobertura e as esquadrias não existem mais
e as paredes restantes apresentam marcas de alterações e se encontram bastante
deterioradas. Estabelecida na rua Vitorino Paulino, o prédio congrega em seu
entorno um circo, uma igreja protestante e diversas casas, além de um campo de
futebol. Em Frutuoso Gomes nos deparamos também com quadro semelhante, assim
como em Antônio Martins. As estações também estão em estado de abandono sem
abrigar nenhum uso e com sua estrutura seriamente deteriorada. Nas cidades elas
estão localizadas em bairros denominados “Da Estação”, sendo um pouco afastadas
do centro. Em Antônio Martins, percebe-se que o local, cujo logradouro é a rua
João Bosco Amorim de Carvalho, hoje habitado por populações de baixa renda, um
dia já foi residência de classes mais abastadas, especialmente ligadas ao
comércio, isso devido à concentração de várias casas e grande armazéns de
estilos historicistas. A situação é tão precária que parte da alvenaria de uma
das fachadas está para cair, apoiada apenas por um pedaço de madeira. Além
disso, em seu interior há vestígios de que outrora as dependências foram
utilizadas como estábulo para animais. Ambas as estações não abrigaram outras
funções após o fim do movimento de trens.
Em Antônio Martins, apesar da condição atual, há um projeto de
transformação da edificação no novo terminal turístico da cidade com
implantação de um museu, praças e um espaço para eventos no entorno. Dentro do
programa de necessidades ainda consta a implantação da primeira biblioteca
pública do município e o agenciamento do entorno com a 159 construção de uma
praça e um anfiteatro para a realização de apresentações (DE FATO, 20/07/2007).
A casa do agente, de acordo com o Jornal de Fato da cidade de Mossoró, também
será revitalizada e servirá como ponto de apoio. Para que se dê o início das
obras, de acordo com o mesmo periódico, a Prefeitura, sob gestão do Sr. José
Júlio, apenas espera a liberação do edifício pela União para o município, que
será tombado como patrimônio de Antônio Martins.
Fonte – GABRIEL LEOPOLDINO PAULO DE MEDEIROS
